Mais do que apenas energia
de volta ao conteúdoOs países da América Latina estão expandindo ativamente a cooperação com a Rosatom no setor nuclear. A corporação russa atua não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como parceira estratégica no fornecimento de combustível, capacitação de pessoal e desenvolvimento da medicina nuclear, estabelecendo as bases para uma integração profunda e de longo prazo. Continue lendo para saber como essa parceria evoluiu no último ano.
Em outubro, a Rosatom foi homenageada com o prêmio “Energia do Futuro”, concedido pela Frente Parlamentar Mista de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN). Os parlamentares destacaram que a premiação reconhece a “liderança tecnológica global da Rosatom e sua contribuição para o desenvolvimento da energia nuclear”, enfatizando o compromisso da corporação com a inovação, a segurança e soluções para a transição energética.
“Estamos honrados com esse importante reconhecimento. Por muitos anos, nossa cooperação com o Brasil tem avançado em áreas cruciais como medicina, energia e ciência. Diante dos planos ambiciosos do Brasil para o setor nuclear, estou confiante de que temos enormes oportunidades de parceria, desde projetos de mineração de urânio e construção de novas usinas nucleares até iniciativas conjuntas em ciência e saúde”, afirmou Ivan Dybov, presidente da Rosatom América Latina.
Eventos de negócios
Em setembro, delegações da América Latina participaram do fórum internacional World Atomic Week (WAW), realizado em Moscou. Em seus painéis no fórum, os representantes da região destacaram o papel da energia nuclear na garantia da segurança energética e do desenvolvimento sustentável. De acordo com Bento Albuquerque, presidente do conselho da Diamante Energia (Brasil), mais de 30 mil pessoas no país ainda vivem sem acesso à eletricidade. Albuquerque ressaltou que a opinião pública no Brasil é amplamente favorável à energia nuclear. Ele enfatizou que a nova capacidade nuclear poderia eliminar o déficit elétrico, impulsionar o desenvolvimento sustentável, acelerar a descarbonização e fortalecer a segurança energética nacional.
Em julho, a Rosatom apresentou tecnologias nucleares russas à comunidade empresarial brasileira durante a Cúpula NeLi (Novas Economias e Infraestrutura Jurídica). O fórum reuniu as principais lideranças empresariais e autoridades governamentais do Brasil e de outros países do BRICS. Em seu pronunciamento, Vadim Titov, CEO da Rosatom International Network, destacou: “A energia nuclear desempenha um papel fundamental na construção de um futuro sustentável para os países do BRICS, permitindo que superem desafios estratégicos de forma holística e eficaz. A Rosatom possui experiência e tecnologias incomparáveis para oferecer aos seus parceiros soluções integrais em energia nuclear, adaptadas às demandas de suas economias nacionais”.

Em maio, o Rio de Janeiro sediou o NT2E 2025, o principal fórum de tecnologia nuclear da América Latina. O evento reuniu mais de 2.700 participantes, incluindo representantes governamentais, empresas e instituições científicas. Com a Rosatom como patrocinadora master, o NT2E 2025 contou com uma expressiva participação de empresas russas em sua programação. Em seu estande, a Rosatom apresentou soluções sob medida para as demandas do Brasil, com destaque para os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) — projetados para conferir estabilidade à rede e suprir regiões remotas —, além de tecnologias para o gerenciamento de combustível usado e medicina nuclear.
Vitórias nucleares
Em setembro, a equipa brasileira TupiTech sagrou-se vencedora na final do Global HackAtom 2025, uma competição organizada pela Rosatom. Os brasileiros superaram concorrentes de dez países numa maratona tecnológica de 24 horas focada na exploração espacial por meio de tecnologias nucleares. O projeto vencedor consiste num centro modular de exploração espacial. Antes de avançar para a final global, a TupiTech venceu a etapa regional realizada no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo.
Em junho, o Brasil garantiu outra vitória de destaque — desta vez na primeira edição do Green Future, Competição Internacional do BRICS para Projetos Ambientais Femininos, organizada pelo Conselho do Fórum de Mulheres da Eurásia e pela Rosatom. Um júri especializado, composto por representantes de dez países, selecionou 16 finalistas entre mais de 800 candidaturas. As vencedoras representaram quatro nações: Índia, Brasil, Rússia e África do Sul. A empresa brasileira CQ Circular Sustentabilidade e a sua diretora, Luciana Rodrigues Oriqui, venceram na categoria Proteção Ambiental.
Parceria e Educação
A Rosatom assinou um acordo com a estatal brasileira Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para a prestação de serviços de conversão e enriquecimento de urânio extraído no país. Grandes empresas internacionais, incluindo a China Nuclear Energy Industry Corp (CNEIC), participaram da licitação para o enriquecimento do mineral. No entanto, as autoridades brasileiras consideraram a proposta da Rosatom a mais vantajosa. Como resultado, foi firmado o contrato sob o qual empresas russas realizarão o ciclo de conversão e enriquecimento para o urânio de origem nacional.
Em junho, a Rosatom realizou o seu primeiro Festival de Ciência na América Latina, com o apoio do Nuclear Science Club. O evento ocorreu no campus da Universidade Maior de San Andrés (UMSA), em La Paz, Bolívia. Mais de 800 participantes de diversas regiões da Bolívia inscreveram-se no festival, que contou também com a presença de uma delegação do Peru.
Durante o evento, representantes da Universidade Politécnica de Tomsk (Rússia), da Agência Boliviana de Energia Nuclear (ABEN) e da Rosatom proferiram palestras científicas. Os participantes também desfrutaram de jogos científicos interativos e tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas sobre tecnologias nucleares com especialistas do setor.

