Joyce Mendez: A força da solidariedade
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#300Abril 2026

Joyce Mendez: A força da solidariedade

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A Rosatom está realizando sua segunda campanha de recrutamento para a Impact Team 2050, o conselho consultivo juvenil internacional do Diretor-Geral da corporação nuclear russa. O conselho tem como objetivo promover um diálogo direto entre jovens líderes e executivos da Rosatom para desenvolver a educação internacional, atrair jovens talentos para a indústria nuclear e ampliar o apoio às tecnologias nucleares entre a geração mais jovem em todo o mundo. Esta é a história de Joyce Mendez, membro da Impact Team 2050, cofundadora do Observatório Latino-Americano de Geopolítica Energética e integrante do Grupo Consultivo Juvenil sobre Mudanças Climáticas do Secretário-Geral da ONU.

Joyce Mendez nasceu e foi criada na Colômbia. Desde a infância, ela observou a diversidade natural e cultural da bacia do rio Paraná e do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo.

“Um dia, na escola, durante uma aula de biologia, nos falaram sobre uma das consequências das mudanças climáticas no Brasil: o aumento das temperaturas afetava o crescimento da população de mosquitos transmissores da dengue e do vírus chikungunya. E esse é apenas um dos muitos problemas. Eu tinha 12 anos na época. Fiquei fascinada pelo tema e comecei a contar aos outros alunos sobre o impacto das mudanças climáticas em nossas vidas”, conta Joyce Mendez.

Projetos com a participação de Joyce

A crença de Joyce no poder da educação e do engajamento comunitário a levou a cofundar várias organizações não governamentais na América Latina. Em 2014, ela começou a trabalhar com jovens em um programa social e ambiental da Itaipu, a segunda maior usina hidrelétrica do mundo. Em 2015, Joyce ajudou a lançar o Observatório de Educação Ambiental Moema Viezzer, que promove o engajamento da comunidade local na conservação da biodiversidade e na luta contra as mudanças climáticas. Entre as conquistas do Observatório está o Plano Municipal de Foz do Iguaçu para a Conservação da Mata Atlântica, voltado para a proteção dos ecossistemas da região.

Em 2016, Joyce cofundou o Observatório Latino-Americano de Geopolítica Energética e, em 2018, cofundou a Rede de Jovens do Paraguai pela Água, que capacita jovens profissionais a implementar projetos alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: Água Potável e Saneamento e Vida Subaquática. A organização mobilizou jovens em todo o Paraguai por meio de fóruns e programas nacionais.

Uma das principais missões de Joyce é defender os povos indígenas, garantindo que suas vozes sejam ouvidas nas discussões sobre política climática e gestão de recursos. Ela acredita que o conhecimento tradicional não é meramente um patrimônio cultural, mas uma ferramenta vital para alcançar os ODS.

Colaboração internacional

Joyce participa da Agência de Energia Juvenil do BRICS, ajudando a desenvolver programas para jovens sobre a transição energética e o desenvolvimento sustentável.

Em 2023, o secretário-geral da ONU, António Guterres, nomeou Joyce para seu Grupo Consultivo Juvenil sobre Mudanças Climáticas. Apenas cinco jovens receberam tal convite. Representando sua região na arena internacional, Joyce enfatiza a importância de incorporar as perspectivas dos jovens e dos migrantes ao desenvolver soluções sustentáveis.

Sua visão para o futuro está enraizada na colaboração e na transparência. “Precisamos incentivar o diálogo entre culturas, gerações e grupos socioeconômicos”, afirma Joyce Mendez. “Somente por meio da discussão podemos encontrar pontos em comum e superar desafios compartilhados.”

Para Joyce, construir sistemas resilientes é uma filosofia de vida. “Não serei jovem para sempre”, ela reflete. “Mas criei plataformas que fornecerão à próxima geração as ferramentas necessárias para dar continuidade a esse trabalho.”

Impact Team 2050

Joyce se interessou por energia nuclear quando ainda era estudante universitária. Em 2022, ela passou a integrar o conselho da Impact Team 2050. Juntamente com a Rosatom, Joyce organizou grandes eventos que permitiram que jovens de toda a América Latina aprendessem sobre tecnologias nucleares, como construir uma carreira na indústria nuclear e como melhorar a pegada climática de seus países.

“Entrei para a Impact Team 2050 para provar que a transição energética deve ser inclusiva e que as vozes da América Latina devem ser ouvidas. E conseguimos. Reunimos jovens líderes de nove países da região. Realizamos visitas técnicas à Usina Nuclear de Angra e ao reator de pesquisa IPEN no Brasil, e organizamos um workshop conjunto com a AIEA, que lançou as bases para o desenvolvimento de TECDOCs relevantes (documentos técnicos da AIEA — Ed.). Mas meu maior motivo de orgulho é a apresentação de nossos dois anos de trabalho na COP30 em Belém, no coração da Amazônia. Mostramos ao mundo inteiro, na sessão da AIEA, que o movimento nuclear juvenil latino-americano existe, é forte e está pronto para oferecer soluções. Quando representantes de comunidades indígenas e jovens engenheiros falam a mesma língua, isso é verdadeiro progresso.”

Fazendo a diferença

Em sua juventude, Joyce ouviu uma parábola que influenciou sua visão de mundo. Um incêndio começou na floresta amazônica. Os animais fugiram das chamas aterrorizados. Mas, de repente, perceberam um beija-flor voando para dentro da floresta.

“Por que você está voltando para lá?”

“Eu carrego uma gota de água no bico. Se todos fizerem isso, podemos apagar o incêndio.”

“Pensei que queria ser como o beija-flor, para dar minha contribuição e apagar o incêndio”, diz Joyce Mendez. “Por causa desse sonho, tive que abrir mão de festas e relacionamentos na minha juventude, mas não me arrependo de nada. Se todos derem a contribuição que puderem, veremos como tudo muda. A colaboração é mais importante do que a competição; há força na solidariedade.”